Publicado em 22 de janeiro de 2026
O cenário de incertezas chegou ao fim e deu lugar a um cronograma definitivo: a desoneração da folha de pagamento agora é página virada para diversos setores da economia.
Com a aprovação da reoneração gradual pelo Congresso Nacional, 17 setores da economia que antes pagavam impostos sobre o faturamento bruto iniciam agora um retorno progressivo à tributação sobre a folha de salários.
Essa mudança altera profundamente a estrutura de custos das companhias e exige uma revisão imediata do planejamento financeiro. Para os escritórios de contabilidade, o desafio vai muito além de atualizar tabelas e cálculos; o momento pede uma postura consultiva para orientar os clientes sobre o impacto real no custo de cada contratação e para antecipar riscos jurídicos e fiscais que podem surgir com as novas regras de transição.
A desoneração permitia que empresas de setores como têxtil, calçados, tecnologia da informação e construção civil pagassem alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta. Com o novo acordo, a tributação volta a incidir sobre a folha (os 20% da cota patronal do INSS), mas de forma progressiva.
Essa transição escalonada foi a saída encontrada para evitar um choque imediato no caixa das empresas. No entanto, o aumento gradual exige que o empresário saiba exatamente quanto cada funcionário custará ao longo dos próximos quatro anos.
Áreas que dependem de muita mão de obra serão as mais afetadas, já que o custo para manter o quadro de funcionários ficará, inevitavelmente, mais alto.
Neste cenário, o papel do contador deixa de ser meramente o de quem emite guias para se tornar o de um consultor de viabilidade. Não basta apenas calcular o imposto; o profissional contábil agora atua na linha de frente do planejamento estratégico.
O contador deve realizar simulações comparativas. Em alguns casos, dependendo do faturamento e do tamanho da folha, o regime que era vantajoso no passado pode não ser mais a melhor opção agora. O monitoramento das alíquotas progressivas deve constar no orçamento plurianual da empresa.
A precisão no envio das informações para o eSocial torna-se ainda mais crítica. Qualquer erro na classificação da atividade ou na base de cálculo pode gerar cobranças indevidas ou multas, em um momento onde o fluxo de caixa já estará pressionado pelo aumento do imposto.
O contador deve auxiliar o empresário a entender o “ponto de equilíbrio”. Com a reoneração, novas contratações precisam ser avaliadas sob a ótica do novo custo previdenciário, evitando que a expansão da equipe comprometa a margem de lucro.
Para garantir que a transição seja segura e que o escritório agregue valor ao cliente, o profissional de contabilidade deve seguir este roteiro técnico:
O encerramento do ciclo de desoneração da folha de pagamento não deve ser visto apenas como uma mudança técnica na contabilidade, mas como uma transformação profunda na forma de gerir o custo da mão de obra no país.
Essa transição exige que o empresário vá além do preenchimento de guias, demandando um planejamento financeiro robusto, a revisão de contratos vigentes e uma análise detalhada sobre a viabilidade de futuras operações.
Ignorar a complexidade desse cenário e tratar o tema apenas como uma atualização automática de fórmulas é um erro que pode custar caro. Empresas e escritórios que se limitarem ao ajuste de cálculos estarão vulneráveis a surpresas financeiras e decisões administrativas equivocadas, que podem comprometer a margem de lucro e a competitividade.
Por outro lado, as organizações que adotarem uma postura proativa, unindo a visão técnica da contabilidade com o suporte do setor jurídico, estarão em vantagem. Essa integração é o que garante a segurança jurídica necessária para navegar em um período de mudanças, permitindo que a empresa atravesse a transição com previsibilidade e, principalmente, com o menor risco possível para o seu patrimônio.
Fonte: Jornal Contábil
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